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Ignição por platinado 


O principio de funcionamento do sistema de ignição encontrado nos veículos atuais é exatamente o mesmo desde os primórdios do automobilismo, variando apenas pelo emprego de novos materiais ou circuitos eletrônicos de controle.
O funcionamento do sistema de ignição por bobina corresponde a seguinte descrição :

A bobina de ignição é constituída por um núcleo de ferro comum, laminado, sobre o qual são dispostos dois enrolamentos, um primário, com um numero reduzido de espiras, e outro secundário, com um elevado numero de espiras de fio muito fino. A relação de espiras entre os enrolamentos é tipicamente da ordem de 1:100. O circuito primário é formado pelo interruptor S1, que vem a ser a chave de contato (ou chave de ignição) e o interruptor S2 o platinado, que atua mecanicamente através de um eixo de cames sincronizado ao virabrequim, através do comando de válvulas, abrindo e fechando seus contatos em função da rotação do motor. Em paralelo ao platinado existe um capacitor (ou condensador) C1, que em combinação ao enrolamento primário da bobina compõem um circuito oscilante. Uma das funções do condensador C1 é diminuir a ocorrência de faíscas entre os contatos do platinado, com um funcionamento normal do circuito. Devido ao grande numero de espiras do enrolamento secundário, este enrolamento apresenta um efeito capacitivo que é representado no esquema pelo capacitor C2. Com os contatos de S1 fechados, se estabelece uma corrente elétrica pelo circuito primário, da ordem de 10 Ampères nos circuitos convencionais. Como consequência da auto-indução, própria da bobina, a corrente citada não alcança o seu valor máximo instantaneamente, senão ao transcorrer de alguns milésimos de segundo, seguindo um processo tal como o representado pela figura . Em consequência, o campo magnético criado pelo enrolamento primário demora algum tempo para ser gerado, já que o mesmo é proporcional a corrente que circula no circuito primário. Se, quando a corrente que circula pelo circuito primário atinge seu valor máximo e o platinado se abre, tanto no enrolamento primário quanto no secundário se induzem tensões cujo valor dependerá da auto-indução do enrolamento primário, assim como do valor da corrente circulante por este circuito. Nos sistemas convencionais a tensão que se alcança no enrolamento primário é da ordem de algumas centenas de volts, enquanto que no secundário obtém-se uma tensão que pode chegar a 30 kVolts, valor variável principalmente em função das características da bobina de ignição (relação entre as espiras dos enrolamentos, intensidade do campo magnético, etc.). Por se tratar de um circuito ressonante, a tensão induzida no secundário (e no primário) não se apresenta na forma de um único pico de tensão e sim como uma sequência de senóides , cujo período dependerá da capacitância (C2) e da indutância que a bobina apresenta. Os ciclos apresentam uma atenuação em função do tempo e a forma de onda apresentada é típica para um circuito "em aberto" mas, na prática, com a geração da faísca, a atenuação é muito mais pronunciada.
Como todas as bobinas de ignição atuam pelo princípio de auto-indução, quanto maior for esta auto-indução maior será o tempo necessário para que o circuito primário atinja o valor máximo de corrente . Como consequência do lento crescimento da corrente através da bobina, a criação do campo magnético no núcleo da bobina apresenta um retardo, e é necessário aguardar um certo intervalo de tempo até que o campo magnético atinja seu valor máximo. Em baixos regimes de giro este efeito não causa nenhum tipo de problema, mas a medida que a rotação do motor aumenta e diminui o tempo entre a ocorrência das faíscas este tempo torna-se significativo . Como resultado, quanto maior for a auto-indução da bobina maior será o tempo para atingir o valor máximo de corrente e, consequentemente, maiores serão as perdas em altos regimes de giro do motor.
Assim como o tempo de carga, o tempo de descarga da bobina também é importante e é justamente neste tempo de descarga em que a faísca é efetivada. Como visto anteriormente, a tensão induzida no secundário se apresenta como uma sequência de ondas senoidais atenuadas. Apesar da faísca ocorrer no primeiro semi-ciclo e os demais não apresentarem nenhuma função de ordem prática para a ignição, a bobina, preferencialmente, não deve ser novamente energizada enquanto não houver uma total atenuação na tensão no secundário, sob pena de transformar esta tensão residual em calor, nos enrolamentos da bobina. Outro efeito desta ocorrência é o aumento no tempo de carga do ciclo precedente, ocasionado pela força contra-eletromotriz ainda existente nos enrolamentos da bobina.